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História

História

Desde há muitos anos, um grupo de amigos encontra-se na Agrival, aproveitando os eventos que aí se realizam, como a prova do melão e a prova dos vinhos.

Cada um leva um petisco, para segurar num copo de vinho bom. No fim, um convívio, que junta pessoas de diferentes culturas, sensibilidades, gostos, mas que têm em comum uma afinidade: defesa de valores ancestrais, que se vão perdendo, diluídos nos afazeres de uma sociedade, cada vez mais empurrada para o materialismo e o imediatismo. Desde a feira da Agrival de 2008, que nos reunimos todos os anos nesse convívio, com mais organização e que tem por mote principal uma merenda, com uma das iguarias mais apreciadas na nossa Região: O presunto. Esse convívio que começou com meia dúzia de pessoas, cresceu, ultrapassou os limites de uma simples reunião de amigos, ganhou fama e a sua divulgação originou que se pensasse em algo mais profundo e alicerçado. Os amigos mais assíduos imaginaram uma Confraria, que defendesse um produto genuíno, bem como os métodos tradicionais para a sua elaboração, desde a criação dos animais, a sua alimentação, selecção, até à sua autenticação.

E no ultimo ano foi solenemente prometido, perante uma ilustre plateia, honrada com a presença do Senhor Presidente da Câmara, vários vereadores, produtores de vinho, etc., que neste ano de 2013, esse pensamento se transformaria em realidade. De então para cá, um grupo de pessoa meteu pé a caminho e não mais parou. Entretanto, por sugestão do sr. Vereador Adolfo Amílcar, que foi acolhida em reunião, entendeu-se que o nosso grupo de amigos deveria albergar, também, uma outra iguaria que se liga bem ao presunto e é peça importante na Agrival: a cebola. Assim, juntando o útil ao agradável, evitando a proliferação de pequenas associações, juntamos numa única confraria, a defesa de dois produtos importantes do Vale do Sousa, que combinam bem entre si, complementando-se, mutuamente, numa iguaria ímpar: presunto, com cebola, acompanhados de uma broa caseira.

Sem menosprezar ninguém, cabe realçar o papel da Comissão Instaladora constituída pelos Srs. Joaquim Ferreira, Aníbal Ferreira, José Silva, Belmiro Leal, Sr. Arquitecto Luís Costa, Sr. Dr. Manuel Fernando e os Srs. Vereadores Adolfo Amílcar e Antonino de Sousa. Muitos outros deram a sua opinião e ajuda, o que será realçado no dia da nossa Festa.

Pois bem: Em 5 de Abril de 2013 foi outorgada a escritura Pública, no cartório notarial de Celorico de Basto, perante a Notaria Srª. Dra. Adelaide Monterroso Freixo, outra pessoa extraordinária que muito nos ajudou, na qual foi constituída a CPCVS – CONFRARIA DO PRESUNTO E DA CEBOLA DO VALE DO SOUSA.

Paralelamente, pensava-se nos trajes da Confraria, no dia da festa, no calendário, nas cerimónias, nos Estatutos, enfim, tudo aquilo que irá proporcionar ao Grupo dos Amigos do Presunto e da Cebola, em breve Confrades, um dia muito especial. Para que seja possível cada um apresentar-se solenemente na festa é indispensável mandar confeccionar a Capa, o Escapulário, o Chapéu, o Estandarte, solicitar a colaboração de amigos, entidades várias, outras confrarias, o Templo onde nos encontramos, o Pároco celebrante, fundo de maneio para tudo isto, enfim, uma azáfama muito grande, que, modéstia à parte, merece ser enaltecida.

Em março de 2015, por deliberação do Conselho Diretivo da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, a Confraria do Presunto e da Cebola do Vale do Sousa, foi aceite como Associado.

Finalmente: a par do prazer, momentâneo, da degustação de um bom presunto, sabiamente esquartejado, uma cebola macia, temperada com sal e vinagre de vinho verde, um naco de broa de milho com mistura de centeio, feita em forno aquecido a lenha (antigamente não havia matéria incandescente nos nossos montes, porque era toda aproveitada para alimentar a fogueira dos nossos lares), há outros valores mais duradouros, que esta Confraria, hoje solenemente entronizada, se propõe defender e perpetuar: os valores culturais, que passaram de pais para filhos, desde tempos ancestrais. O presunto e a Cebola, eram produzidos para ajudar ao sustento de muitas e numerosas famílias. Criavam-se animais, com os restos da comida, de hortaliças, de legumes, com milho “tocado”, com a batata que se tirava da terra à enxada e que saía “rachada”, com o farelo que sobrava de peneirar a farinha com que se fazia a fornada semanal.

Como se realçou no nosso encontro do ano passado, os nossos filhos e netos não imaginam como funcionava a economia familiar de há poucas décadas. O que sustentava famílias inteiras. Esses saberes, essa cultura, tem de ser preservada, custe o que custar.

Esse é propósito final da Confraria do Presunto e da Cebola do Vale do Sousa, consagrado no Objecto da Associação, sem fins lucrativos: a defesa, o prestígio, a valorização, a promoção, a preservação, a divulgação e a consolidação da qualidade do presunto e da cebola do Vale do Sousa.